Guia prático de rotulagem

Produtos sem açúcar: como escolher melhor

“Zero”, “diet” e “sem adição de açúcares” não dizem tudo sobre um alimento. Aprenda uma sequência simples para comparar rótulos sem depender apenas da propaganda da embalagem.

Por Dr. Jayme Assunção Nutricionista · CRN-5 11090 Atualizado em 28/07/2026

O ponto principal

“Sem açúcar” não é sinônimo automático de “melhor escolha”

A frente da embalagem destaca o atributo que favorece o produto. A decisão mais informada acontece quando você lê o rótulo inteiro: lista de ingredientes, tabela nutricional, porção e avisos frontais.

Um alimento pode não ter açúcar adicionado e ainda conter açúcares naturalmente presentes. Também pode usar edulcorantes, polióis ou ter quantidades relevantes de gordura saturada e sódio. Por isso, não avalie o produto por uma única frase.

Zero açúcar, sem adição e diet: qual é a diferença?

Zero ou não contém açúcares

É uma alegação nutricional sujeita a critérios específicos. Ainda assim, confira os demais nutrientes e ingredientes.

Sem adição de açúcares

Indica que açúcares não foram adicionados no processo, dentro das condições da norma. O alimento pode conter açúcares próprios dos ingredientes.

Diet

É um alimento formulado para dietas com restrição de determinado nutriente. O nutriente retirado não é necessariamente o açúcar.

Light

Indica redução de energia ou de algum nutriente em comparação com uma referência. Leia qual componente foi reduzido.

Como ler o rótulo em cinco passos

  1. Comece pela lista de ingredientes.

    Os ingredientes aparecem em ordem decrescente de quantidade. Observe os primeiros itens e os diferentes nomes usados para ingredientes adoçantes.

  2. Localize açúcares totais e adicionados.

    A tabela brasileira informa os dois valores. “Totais” inclui os açúcares presentes no alimento; “adicionados” mostra o que foi incorporado durante o processamento.

  3. Compare por 100 g ou 100 ml.

    Essa coluna reduz a confusão causada por porções diferentes e facilita comparar dois produtos da mesma categoria.

  4. Procure a lupa na frente da embalagem.

    Ela sinaliza alto teor de açúcares adicionados, gordura saturada ou sódio quando o produto atinge os limites definidos pela Anvisa.

  5. Considere frequência, quantidade e contexto.

    A escolha não depende de um ingrediente isolado. Pense em quanto você consome, com que frequência e no conjunto da alimentação.

Nomes que merecem atenção na lista de ingredientes

O açúcar pode aparecer com nomes diferentes. Entre os mais comuns estão açúcar, sacarose, glicose, xarope de glicose, açúcar invertido, maltodextrina, mel, melado e concentrados de frutas usados para adoçar.

Importante: encontrar um desses termos não transforma o alimento, sozinho, em “proibido”. A posição na lista, a quantidade declarada e a frequência de consumo ajudam a entender o contexto.

Exemplos de produtos para comparar com mais cuidado

  • Iogurtes, bebidas lácteas e bebidas vegetais
  • Granolas, cereais matinais e barras
  • Molhos, ketchup e temperos prontos
  • Pães, biscoitos e produtos de panificação
  • Bebidas prontas, sucos e chás
  • Chocolates, sobremesas e geleias “zero”

Compare produtos dentro da mesma categoria e na mesma base de 100 g ou 100 ml. Isso é mais útil do que classificar todos os alimentos “zero” como equivalentes.

Fontes e responsabilidade

Este guia segue as orientações públicas de rotulagem nutricional da Anvisa. Para consultar as regras, modelos de tabela e critérios da lupa frontal, acesse a página oficial de rotulagem nutricional da Anvisa.

Conteúdo educativo. Não substitui avaliação nutricional individual, diagnóstico ou tratamento. Pessoas com diabetes, alergias, intolerâncias ou outras condições clínicas devem seguir a orientação da equipe que acompanha o caso.

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